O Carnaval de 2026 terminou com gosto amargo para a caçula de Niterói. Após uma ascensão meteórica, a Acadêmicos de Niterói amargou a última colocação na apuração desta Quarta-feira de Cinzas e se despede da elite do samba carioca. A aposta foi alta: o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” transformou a Sapucaí em um tribunal político, mas a execução técnica não convenceu os jurados, que canetaram a escola em quesitos fundamentais.
O desfile, que trouxe desde a rampa do Planalto até críticas diretas à gestão Bolsonaro e referências ao ministro Alexandre de Moraes, viveu sob a sombra de mais de dez ações judiciais. O TSE até liberou a festa para evitar censura, mas o clima de “campanha antecipada” e as batalhas no TCU deixaram a agremiação sob uma pressão gigante. Nem a presença do próprio homenageado no camarote e os elogios presidenciais nas redes sociais foram suficientes para segurar as notas de evolução, harmonia e enredo.
Para os críticos, a escola “politizou demais e sambou de menos”, enquanto a diretoria defende que levou a voz do povo para a Avenida. O fato é que a Niterói, que subiu com o pé direito em 2025, agora terá que se reorganizar na Sapucaí da Série Ouro (antigo Grupo de Acesso) para tentar o retorno em 2027. O sonho do operário parou na quarta-feira, e o Carnaval de 2026 fecha suas portas com essa despedida precoce da elite.










