A Polícia Civil do Rio concluiu o inquérito sobre o incêndio ocorrido em janeiro no Shopping Tijuca, na Zona Norte, com o indiciamento de cinco pessoas. A investigação, conduzida pelos delegados Adriano França e Maíra Rodrigues, revelou uma sucessão de falhas sistêmicas que resultaram nas mortes da bombeiro civil Emellyn Silva Aguiar Menezes e do supervisor de segurança Anderson Aguiar do Prado.
Executivos Indiciados e Fraude Processual
A cúpula do shopping foi diretamente responsabilizada. A superintendente Adriana Santilhana Nietupski e o gerente de operações Pedro Paulo Alvares foram indiciados por:
- Incêndio doloso qualificado (pelas mortes);
- Lesão corporal culposa;
- Crime de perigo para a vida ou saúde;
- Fraude processual (por tentativa de ocultar ou alterar provas).
A gerente de negócios, Renata Barcelos, também foi indiciada, exceto pelo crime de fraude. Além deles, dois gerentes da loja Bell Art, onde as chamas começaram, respondem por incêndio doloso e lesão corporal.
Falhas Estruturais e Atraso no Socorro
O inquérito, que ouviu 38 pessoas, expôs a precariedade da segurança no local:
- Sem Alvará e Exaustor: A loja Bell Art não possuía alvará do Corpo de Bombeiros, e o shopping operava sem sistema de exaustão para combate às chamas.
- Demora no Acionamento: O botão de pânico foi apertado às 18h04, mas os Bombeiros só foram comunicados às 18h27 — um intervalo de 23 minutos que, segundo a polícia, foi determinante para as fatalidades.
- Desorganização: Os delegados apontaram ausência de alarmes eficazes, treinamento insuficiente da brigada e uma evacuação caótica.
Para a Polícia Civil, a tentativa de combater a fumaça no subsolo sem o apoio imediato dos militares e a falta de equipamentos adequados selaram o destino das vítimas.










