A Polícia Civil deu o bote certo e prendeu em flagrante dois criminosos especializados no roubo de caminhonetes na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. A ação foi realizada por agentes da 15ª DP (Gávea), nesta segunda-feira (5), após um cruzamento de informações de inteligência.
Segundo as investigações, os bandidos agiam em grupo, rodavam pela região de carro, monitoravam as caminhonetes e só depois partiam para o ataque. O roubo era feito com equipamentos eletrônicos de alta tecnologia, como decodificadores e emuladores de chave, comprados pela internet. Com esses aparelhos, os criminosos conseguiam abrir e ligar os veículos em poucos minutos, sem chamar atenção.
Depois do crime, as caminhonetes eram levadas para comunidades dominadas por facções criminosas, onde passavam por clonagem. A partir daí, os veículos tinham vários destinos: Paraguai, troca por armas e drogas ou então eram desmontados para abastecer o mercado ilegal de peças.
De acordo com a polícia, o esquema era bem organizado. A própria facção oferecia “cursos” para ensinar a abrir e ligar os carros, além de alugar os decodificadores de chave. Esse tipo de furto virou mais uma fonte de dinheiro para o crime, especialmente na Comunidade da Nova Holanda, na Zona Norte.
A prisão aconteceu quando os agentes perceberam atitude suspeita de dois homens perto de um carro estacionado na Avenida Lúcio Costa. Na abordagem, os policiais encontraram um decodificador de chaves, três celulares e ferramentas usadas nos furtos.
Na delegacia, ficou claro como funcionava a divisão de tarefas:
– um fazia o mapeamento dos veículos;
– outro era responsável por abrir e ligar o carro;
– e um terceiro ficava de olheiro, avisando sobre a chegada da polícia.
Os criminosos prestaram depoimento na 15ª DP (Gávea) e vão responder por associação para o tráfico de drogas e tentativa de furto qualificado. Depois, eles foram levados para a Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), já que são apontados como responsáveis por dezenas de crimes semelhantes.
A prisão faz parte da segunda fase da Operação Torniquete, que mira roubo, furto e receptação de cargas e veículos, crimes que bancam facções, guerras territoriais e sustentam familiares de criminosos. Desde setembro de 2024, a operação já resultou em mais de 740 presos, além da recuperação de cargas e veículos avaliados em quase R$ 45 milhões. O bloqueio de bens e valores já ultrapassa R$ 70 milhões.










